Melinis minutiflora Beauv. 
Nomes Comuns: Capim-gordura, Molasses grass

Familia: Poaceae
Origem: África

Descrição e Fenologia da Espécie
Erva difusa, de raiz comprida, fina e esbranquiçada, colmo espesso, branco ou avermelhado, até 1m de comprimento, liso e nodoso, ereto apenas no ápice; nós pilosos, avermelhados; folhas estreitas, lineares, lanceoladas, agudas, até 10 cm de comprimento e 1 cm de largura, pubescentes ou mais ou menos pilosas, aromáticas viscosas, dando impressão de gorduras; inflorescência em panículas compostas, roxo-avermelhadas ou violáceas, com 22 cm, cerdosas; espiguetas solitárias; sementes insignificantes.

Ecologia da Espécie
Planta C4 que habita naturalmente campos, lugares rochosos e declivosos em climas úmidos e subúmidos.Ocorrência natural de 800 a 2000 m de altitude; limites latitudinais entre 15,9º e 30,5º N e S; a tolerância à precipitação vai de 960 a 1706 mm; tolera secas de 4 a 5 meses; tolera solos pouco férteis, com alta taxa de alumínio, bem drenados; não tolera salinidade; não tolera enchentes; sensível a geadas; parcialmente tolerante à sombra; planta de dia curto (fotoperíodo).Em geral, produz sementes somente em baixas latitudes. Reproduz-se também vegetativamente. Adapta-se melhor em áreas voltadas ao norte, onde a incidência solar é maior.

Ambientes Preferenciais Para Invasão
Invasora em ecossistemas abertos como campos e cerrados, assim como de áreas degradadas, pastagens e áreas agrícolas, inclusive onde há queima; bordas de estradas.

Ocorrências Conhecidas
Jamaica, República Dominicana, Havaí (7 das 9 ilhas), Américas do Norte, Central e Sul, Florida, Peru, países tropicais.A espécie está amplamente disseminada em todo o sul e sudeste do Brasil, em expansão para outras regiões. As estradas funcionam como caminhos de dispersão e facilitam o estabelecimento de invasões à medida que se oportunizam os ambientes adequados. É invasora no Parque Estadual de Vila Velha, no Paraná, e o mais grave problema ambiental do Parque Nacional de Brasília, no cerrado.

Impactos
Tem efeito de exclusão de espécies de campo nativas, levando à perda de biodiversidade por competição.Possui um alto grau de flamabilidade, podendo causar incêndios que atingem temperaturas muito altas e de difícil controle, onde as chamas podem atingir até 6 m de altura. No cerrado brasileiro, as temperaturas de queima do capim-gordura podem atingir 1000 graus, enquanto que o cerrado queima a 600 graus. Esta diferença de temperatura elimina as plantas nativas e abre espaço para expansão do capim-gordura (Carlos Romero Martins, comunicação pessoal, 2001).

Manejo e Controle
Em pequenas áreas pode-se proceder a controle mecânico removendo as plantas em sua totalidade, ou realizando roçadas repetidas e freqüentes de forma a não permitir a produção de sementes. O capim-gordura não suporta roçadas muito freqüentes e, havendo disciplina e persistência, é possível obter resultados sem emprego de químicos. Outra possibilidade é abafar as plantas utilizando lona plástica transparente por períodos de 40 a 60 dias. Isto tende a aniquilar o banco de sementes e as plantas. É fundamental então, no momento da remoção da lona, proceder a semeadura de espécies nativas para viabilizar a restauração do meio e passar a controlar qualquer reincidência de capim-gordura, mantendo-o sob controle por remoção completa das plantas e/ou roçadas freqüentes.Em áreas mais extensas é difícil prescindir de controle químico. A recomendação da FAO (Food and Agriculture Organization, Nações Unidas) é de aspersão de 2.2-DPA a 2.3 kg de produto 740 g AI/kg (e.g. Dowpon) mais paraquat a 85 ml de 200 g AI/litro de produto (e.g. Gramoxone) mais agente umificante a 250 ml por litro de água (Tilley, 1977).

Toda ação de controle químico requer uso de equipamento adequado e material de segurança, como luvas e máscara. Seguir sempre as instruções do fabricante e proceder à devolução da embalagem.

Referências
CORRÊA, M. P. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1926-1952. p. 239-240.
http://www.fao.org/ag/AGP/AGPC/doc/Gbase/gindexM.htm
MARTINS, C.R. Comunicação pessoal, 2001. Brasília: IBAMA – DF.
STONE, C.P.; SMITH, C.W.; TUNISON, T.J. Alien Plant Invasions in Native Ecosystems of Hawaii – management and research. Honolulu: University of Hawaii Press, 1993. 887 p.
ZILLER, S. R.; ROSA, F. Informe de Recursos Nacionales de Especies Invasoras para Sudamérica. Programa Global de Espécies Invasoras / Brasil, 2001.

Fact sheets provided by The Horus Institute for Environmental Conservation and Development (Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental)



Updated January 2005